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Blog História do Futebol & (MINAS GERAIS) & CLUBES & f5 CLUBES E SUAS HISTÓRIAS-BRASIL & Artigos-R. Trida Ruy Trida em 04 Out 2007

Siderúrgica de Sabará, um simpático campeão.

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” Não tem, não tem.
Não tem pro galo, nem raposa, nem leão.
Este ano o negócio só vai bem
prá Tartaruga do Napoleão.
A tartaruga anda devagar
e neste passo comanda o pelotão,
ninguém consegue acompanhar
a Tartaruga do Napoleão.
Não tem, não tem.”

Com essa simpática marchinha, a torcida de um dos mais folclóricos times de nosso país comemorava suas grandes vitórias, que transformaram um mero participante do Campeonato Mineiro, em um time temido e respeitado por toda Minas Gerais. Suas exibições de gala são recordadas até os dias de hoje, com carinho, pelos mais velhos habitantes de Sabará, cidade histórica de Minas.

Fundado no dia 31 de maio de 1930, por iniciativa de funcionários da Usina Siderúrgica Belgo-Mineira, o Esporte Clube Siderúrgica foi um exemplo de responsabilidade social em seu tempo, pois oferecia, através da Belgo Mineira, uma garantia de aprendizado de uma outra profissão, com a possibilidade, quando encerrava-se a carreira futebolística, do jogador trabalhar no ramo siderúrgico.

A primeira partida do clube aconteceu em 17 de agosto de 1930, no campo do Alves Nogueira Foot Ball Club, atual PRAESA, quando o Siderúrgica perdeu para o rival, mais antigo e participante dos campeonatos mineiros de então. O primeiro presidente foi Felicio Roberto e o primeiro campo de futebol foi construído com o patrocínio da Belgo, em terreno doado pelo Recreio Club Siderúrgica. O famoso estádio da Praia do Ó foi palco de memoráveis embates da simpática “Tartaruga”.

Em 1931, filiou-se a Liga Mineira de Desportos Terrestres e disputou seu primeiro torneio oficial, conquistando o título de Campeão da 2ª Divisão de Amadores. Em 1933, fez sua primeira partida como profissional, vencendo o Palestra Itália, atual Cruzeiro, pelo placar de 2 a 1.

Em 1937 conquistou o título estadual em cima do Villa Nova, vencendo um jogo desempate. Carazo, ex-Palestra (Cruzeiro), perdeu um pênalti que poderia ter mudado o curso da histórica decisão, segundo os torcedores do Villa. O Siderúrgica teve ainda o artilheiro da competição, Arlindo, com 10 gols. Após belas participações nas décadas seguintes, quando conquistou quatro vice-campeonatos e dezenas de vitórias contra os rivais de Belo Horizonte, o clube conseguiu o título mineiro de 1964.

O título de 1964

Em 13 de dezembro de 1964, a Tartaruga, animal escolhido pelo cartunista Mangabeira para simbolizar o time de Sabará, protagonizou o capítulo final de uma fase romântica no futebol mineiro, ao conquistar o último título estadual antes da inauguração do Mineirão. No Estádio Otacílio Negrão de Lima, a Alameda (hoje, um supermercado), o time comandado por Dorival Knipell, o Yustrich, venceu o anfitrião América por 3 a 1 e deu início à festa na cidade histórica, dsitante apenas 25 km de Belo Horizonte. O time campeão formou com Djair, Geraldinho, Chiquito, Ze Luiz e Dawson Laviolla; Edson e Paulista; Ernani, Silvestre, Noventa (Aldeir) e Tião Cavadinha. Ninguém sabia então, mas esse foi o canto de cisne do clube sabarense.

Na heróica campanha da Tartagura em 64, houve apenas uma derrota, por 1 a 0, para o Cruzeiro, no Barro Preto, com um gol de Tostão (então com apenas 17 anos), contestado pelos jogadores e dirigentes do Siderúrgica, pois o jovem craque celeste estaria impedido.

1965, um bom ano ano para o Siderúrgica

Em 1965, já na era Mineirão, o Siderúrgica conseguiu a terceira colocação no Estadual, atrás de Cruzeiro e América e à frente do Atlético Mineiro, utilizando a mesma base que conquistara o título de 64. Aliás, como campeão mineiro em 1964, coube ao Siderúrgica a honra de representar Minas Gerais na Taça Brasil de 1965, disputando o primeiro jogo oficial da história do recém inaugurado Mineirão. No dia 29 de setembro de 1965, 24 dias após a inauguração do estádio, o Siderúrgica recebeu o Atlético-GO, no estádio da Pampulha, no jogo de volta da decisão da Zona Centro e venceu por 3 a 1, seguindo adiante na competição, quando perdeu para o Grêmio.

O declínio

Mas já em 1966, em penúltimo lugar no campeonato mineiro, acompanhou o lanterna Renascença, da capital, no rebaixamento e em 1967, com o fim do apoio financeiro da Belgo-Mineira, o clube extinguiu o seu departamento de futebol profissional. Foi o mesmo triste caminho de outros tradicionais times da época, como Metalusina (Barão de Cocais), Asas (Lagoa Santa), Meridional (Conselheiro Lafaiete) e Bela Vista (Sete Lagoas).

A volta frustrada

Depois de 26 anos desativado, voltou a disputar, em 1993 e 1997, o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, mas sem o mesmo sucesso do passado. Agora em 2007, está de volta ao futebol profissional, disputando novamente o Campeonato Mineiro da 2ª Divisão (equivalente à terceira divisão).

Os grandes jogadores:

Michel Spadano - Centroavante campeão mineiro em 1937.

Paulo Florêncio - Participou da Seleção Brasileira que disputou o campeonato sul-americano em 1942.

Tião - Sebastião Rocha, ex-ponta-esquerda, foi campeão mineiro em 1964 pelo Siderúrgica. Também ganhou o Rio-São Paulo de 1966 com o Vasco e fez parte do time do Galo campeão brasileiro de 71 sob o comando de Telê Santana. Foi assassinado no Rio de Janeiro em 1984.

Djair - Com apenas 1,68m de altura, ele foi um dos grandes goleiros de Minas no começo dos anos 60. Foi o goleiro do time campeão de 1964.

Os títulos do Siderúrgica

- Campeão Mineiro em 1937 e 1964
- Vice-campeão Mineiro em 1941, 1952, 1953 e 1957
- Campeão do Torneio Início em 1942, 1951, 1956 e 1965

Curiosidades

- O Siderúrgica sofreu o primeiro gol marcado pelo Cruzeiro (então Palestra) na história dos campeonatos mineiros. Apesar do gol de Piorra o Siderúrgica venceu por 2x1, em jogo disputado em Sabará.

- No título de 1964, houve um jogo histórico com o Atlético, no Estádio Independência. Reza a lenda que o atacante Noventa, artilheiro do time, contundiu o braço na metade do segundo tempo, quando o Siderúrgica vencia por 2x1. À época, os times só podiam fazer alterações até os 44min do primeiro tempo. Ele saiu de campo, aparentemente, para não voltar. O lendário treinador Yustrich teve um ataque histérico, pegou o jogador pelo braço e o obrigou a disputar os 20 minutos finais, com o braço na tipóia. Ainda assim, Noventa fez o terceiro gol. No fim vitória do “Esquadrão de Ferro” por 3 a 1.

- A história mostra que, se não chegou a ameaçar a hegemonia dos grandes da capital, pelo menos o Siderúrgica foi um grande respeitado adversário. Em 122 jogos contra o Atlético Mineiro, a equipe de Sabará venceu 32, empatou 14 e perdeu 76, marcando 170 gols e sofrendo 271.

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3 comentários para “ Siderúrgica de Sabará, um simpático campeão. ”

  1. em 4 de Outubro de 2007 @ 16:17 1.Edu Cacella disse:

    Esse uniforme parece que tem duas cores..

  2. em 4 de Outubro de 2007 @ 19:14 2.Marcos disse:

    Excelente resgate histórico dessa tradicional equipe mineira. Vi em algumas publicações o nome de Celso Marão como técnico da equipe campeã em 1964. Você tem como checar essa informação?

  3. em 7 de Outubro de 2007 @ 10:21 3.Ruy Trida disse:

    Edu, é branco e azul, são duas cores mesmo… Mas, brincadeiras à parte, parece que é só um problema de sombra na fotografia.

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