Blog História do Futebol & g4 Uefa & x7) Perfis Rui Moura em 30 Nov 2007
O ‘PORTISTA’ GOMES: o goleador campeão do mundo de clubes
Fernando Mendes Soares Gomes nasceu no Porto a 22 de Novembro de 1956, tendo-se destacado como um dos melhores avançados de sempre do futebol português ao serviço do F. C. do Porto e, mais tarde, vestindo as camisas do espanhol Sporting de Gijon e do Sporting Clube de Portugal.
Fernando Gomes já aos 12 anos despontava para o futebol nos Salesianos de Pinto Bessa, mas seria descoberto pelo F. C. Porto quando actuava pelo Sport Clube da Lomba em futebol de salão aos 14 anos de idade. Curiosamente, o futuro goleador também era um verdadeiro artilheiro em andebol de onze no Liceu Alexandre Herculano.
Entretanto, o negócio do pai de Fernando Gomes faliu e a família atravessou problemas, aos quais se associavam outros: um dos irmãos de Gomes morrera ainda pequeno e o outro era inválido devido a paralisia infantil. O pai acalentava a esperança de que os promissores pés de Fernando pudessem mudar o destino da família. E mudaram. Com 18 anos de idade, Fernando Gomes entrou em campo a 8 de Setembro de 1974, estreando pelo F. C. Porto na I Divisão contra a G. D. CUF. O Porto venceu por 2-1 e… Gomes assinalou os dois gols portistas!
Eusébio cumpria a última época no Benfica e Gomes estreava pelo F. C. Porto. Aliás, os quatro mais famosos artilheiros do futebol português praticamente não se cruzaram, sucedendo-se uns aos outros e em clubes diferentes: Peyroteo, Sporting (1937-49), Matateu, Belenenses (1951-64), Eusébio, Benfica (1960-75), Gomes, Porto (1974-89). E, curiosamente, no ano em que Gomes abandona a carreira, inicia-se a do extraordinário Luís Figo, que viria a encantar os adeptos de futebol em todo o mundo.
Logo no ano seguinte à sua estreia, a 19 de Maço de 1975, Gomes participa, pela primeira vez, na selecção portuguesa de futebol. A qualidade futebolística de Gomes tornou-o o mais famoso jogador de futebol do Porto, fundindo-se com a mística do clube do Dragão. A ascensão do clube no futebol português foi feita a par e passo com Fernando Gomes.
Não obstante, Gomes não foi reconhecido desde logo como expressão nacional e internacional de grande máquina de fazer gols e a sua estadia no F. C. Porto não foi isenta de atribulações, tendo saído do clube em duas ocasiões por razões diversas. Inicialmente, Gomes foi para o Sporting de Gijon por duas épocas e no primeiro jogo marcou cinco golos ao Oviedo! Após uma grave lesão regressa ao F. C. Porto na época 1982/83 e continua a sua veia goleadora. Porém, em Novembro de 1987 iriam começar os problemas com o treinador Tomislav Ivic, o qual numa entrevista afirmou que “Gomes é finito!”
Apesar dos problemas Gomes manteve-se porque o treinador saiu, mas Quinito, o novo treinador, que afirmava que “Comigo… é Gomes e mais dez!”, acabou por durar pouco tempo e a chegada de Octávio Machado ao comando técnico precipitou a saída de Gomes. Os dois altercaram-se, Gomes foi suspenso pelo clube e um ano depois Gomes ingressaria no Sporting por duas épocas.
Mas quando em 1987/88 Gomes começou a ter problemas no Porto, o seu notável palmarés de títulos, conquistado exclusivamente no F. C. Porto, havia de se completar ao serviço do clube azul e branco, ganhando todas as provas nacionais e mundiais dessa temporada:
• Taça Intercontinental / Campeonato Mundial de Clubes: 1987/88
• Taça dos Campeões Europeus: 1987/88
• Supertaça Europeia: 1987/88
• Campeão Nacional: 1977/78, 1978/79, 1984/85, 1985/86 e 1987/88)
• Taças de Portugal: 1976/77, 1983/84 e 1987/88)
É também nesse ano de 1988 que Fernando Gomes encerra a sua carreira ao serviço da selecção nacional, fazendo a sua última aparição em defesa do país a 16 de Novembro de 1988. Gomes jogara 48 vezes pelo seleccionado português e assinalara 13 gols, tantos quanto Matateu fez antes de si nos anos 50. Em competições europeias, Fernando Gomes assinalou 22 gols em 56 jogos.
Fernando Gomes ingressa então no Sporting durante duas épocas e mantém intactas as suas qualidades de goleador, mostrando que a lucidez e a inteligência futebolística privilegiadas lhe permitem um final feliz de carreira com os “leões” sportinguistas.
Chegado ao final da carreira, Gomes marcara 318 gols só no campeonato português (apenas um a menos que Eusébio e doze a menos que Peyroteo), 288 dos quais pelo F. C. Porto e os restantes pelo Sporting, tendo sido artilheiro do campeonato por seis vezes (tantas quantas Peyroteo e menos uma que Eusébio). Às seis “Bolas de Prata” conquistadas Gomes juntou duas “Botas de Ouro” como artilheiro europeu:
Bota de Ouro (artilheiro europeu):
• 1982/83 (36 gols)
• 1984/85 (39 gols)
Bola de Prata (artilheiro português):
• 1976/77 – Fernando Gomes (FC Porto) – 26 gols / 30 jornadas (0,86)
• 1977/78 – Fernando Gomes (FC Porto) – 25 gols / 30 jornadas (0,83)
• 1978/79 – Fernando Gomes (FC Porto) – 27 gols / 30 jornadas (0,90)
• 1982/83 – Fernando Gomes (FC Porto) – 36 gols / 30 jornadas (1,20)
• 1983/84 – Fernando Gomes (FC Porto) – 21 gols / 30 jornadas (0,70)
• 1984/85 – Fernando Gomes (FC Porto) – 39 gols / 30 jornadas (1,30)
Gols foi o que Gomes melhor soube fazer com garra e inteligência. E também com muita emoção. Daí que a sua mais famosa frase assegure que ”Marcar um golo é como ter um orgasmo”.
Fontes principais
http://paixaopeloporto.blogspot.com/2007/08/o-cromo-do-dia-fernando-gomes.html
http://pfutebol.com/All-time%20statistics/All-time%20stats%20sub%20All-time%20Superliga%20top%20scorers.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Gomes_%28futebolista%29
http://www.abola.pt/publica/100f/index.asp?n=f33
http://www.abola.pt/publica/gs/index.asp?n=f02
http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao_jogador.php?id=15
4 comentários para “ O ‘PORTISTA’ GOMES: o goleador campeão do mundo de clubes ”
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em 30 de Novembro de 2007 @ 07:38 1.Marcos disse:
Rui você teria informações sobre aquele zagueiro Morais que literalmente não deixou o Pelé jogar naquele jogo Portugal 3 x 1 Brasil na Copa de 1966?
em 30 de Novembro de 2007 @ 19:42 2.Rui Moura disse:
Marcos, o Morais fez história duas vezes: marcou o gol olímpico que deu ao Sporting Clube de Portugal a Taça das Taças em 1963/64 e “literalmente não deixou o Pelé jogar” em 1966. Este Morais está fazendo parte de um artigo que estou escrevendo sobre o Sporting. Você quer que eu faça um artigo específico sobre o Morais envolvendo os aspectos mais importantes da sua carreira, incluindo a “caso” Pelé?…
em 1 de Dezembro de 2007 @ 14:55 3.Marcos disse:
Rui na realidade eu não conheço a história desse sujeito. A única lembrança que tenho dele dão as “tesouradas” que ele deu no Pelé naquele jogo da Copa 70. Parece que ele não era apenas um “açougueiro” sabia jogar. Se puder gostaria de conhecer a trajetória desse jogador que para nós brasileiros ficou com essa imagem.
em 1 de Dezembro de 2007 @ 16:18 4.Rui Moura disse:
Marcos, as “tesouradas” do Morais foram na Copa de 1966, em que o Brasil tinha imensos problemas de bastidores e não se organizou realmente para ganhar o campeonato, tal como hoje sabemos. Na Copa de 1970, com o Jairzinho em grande forma, marcando gols em todos os jogos [fato único nas Copas do Mundo], e o Pelé ainda atuando, o Brasil foi tri-campeão do mundo numa final memorável em que bateu a grande selecção italiana por… 4x1!!!
O Morais nunca foi ‘açougueiro’. Efetivamente, não era um craque de primeira linha, mas cumpria bem com o que lhe mandavam fazer em campo. E alguém mandou o Vicente e o Morais não deixarem o Pelé jogar. Quem?… O treinador da seleção portuguesa, o brasileiro Otto Glória, que sabia bem o perigo que Pelé constituía, mesmo numa equipe jogando mal. Os dois jogadores fizeram o que lhes mandaram. Aliás, o Vicente, se bem me recordo, ainda foi mais violento do que o Morais - em Portugal havia um dito, à época, embora nesse tempo eu vivesse no Brasil, que era “corta Vicente para canto…” (escanteio, na linguagem brasileira). O Morais teve o azar de ser ele, e não o Vicente, a lesionar o Pelé, o seu principal marcador. Em todo o caso, a ordem foi do comando técnico…
Mas prometo publicar, a partir de segunda-feira, artigo sobre o Morais (embora não seja suficientemente ‘craque’ para figura de destaque).