Blog História do Futebol & d1 AMISTOSOS NACIONAIS Sandro Moraes em 04 Set 2008
Flamengo 2x2 Internacional - O Rolo Compressor no Rio
O famoso time do Internacional da década de 40, o Rolo Compressor, esteve em 1o. de Julho de 1945 no Rio de Janeiro, para enfrentar o Flamengo em uma amistoso que marcaria a inauguração das arquibancadas do Estádio da Gávea. O resultado foi um bom empate em 2 a 2, resultado que sempre agrada as equipes em um amistoso.
Segue abaixo uma reportagem da época:
FONTE: Revista Esporte Ilustrado número 379, de 12 de julho e 1945.
OBS.: Foi mantida a grafia da época.
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O Internacional, de Porto Alegre, fez lembrar o futebol vistoso do passado
NO SEU HONROSO EMPATE COM O C. R. DO FLAMENGO
O domínio que medeia o fim do “Torneio Municipal” e o início do Campeonato Carioca de Futebol foi aproveitado pelo C. R. Flamengo para um jogo amistoso com o Internacional, hexa-campeão gaucho, que viajou de avião afim de atender ao pouco tempo disponível para todos esses preparativos.
O encontro sem ser técnicamente aprimorado, foi brilhante como espetáculo, impressionando sobretudo o Internacional, ao apresentar aos cariocas um padrão de futebol vistoso, o futebol malicioso, hábil, improvisado e dinâmico dos “aureos tempos”.
Eis o comentário de Alberto Mendes sobre essa peleja.
Campo do C. R. Flamengo
Renda 100.030,00
Primeiro tempo - Internacional 2-1.
Final - Empate 2-2.
Juiz - Mario Vianna
QUADROS:
Alinharam-se as equipes com esta formação: C. R. Flamengo: Jurandir, Newton e Norival; Paulo Amaral (Jací no 1o. tempo), Bria e Jaime; Adílson, Zizinho, Pirillo, Tião (Bucheli no 2o. tempo) e Vevé (Jarbas no 2o. tempo). Internacional: Ivo; Alfeu e Nêna; Vianna, Avilla e Abigail; Tesourinha, Motorzinho, Adãosinho, Elizeu e Carlitos.
CONTAGEM:
C. R. Flamengo 1-0. Aos 11 minutos, alvejou Jaime, fortemente, de longe e a pelota venceu Ivo, mas foi rebatida pelo travessão horizontal. Pirillo, de cabeça, marcou no arco desguarnecido. Internacional 1-1. Carlito disputou com Jací que falhou ao rebater. Carlito entrou e goleou, com um tiro cruzado, aos 22 minutos. Internacional 2-1. Num avanço rápido, Adãosinho desvencilhou-se de Newton e arrematou, forte, no canto direito. Tento aos 26 minutos. C. R. Flamengo 2-2. Bucheli ia entrando, perigosamente, e Ivo partiu para a defesa. Chocaram-se e a pelota ofereceu-se a Pirillo que, com grande calma, atirou no arco vazio, aos 24 minutos do período final.
IMPRESSÕES GERAIS
Para um encontro entre campeões - O Internaconal hexa-campeão de Porto Alegre e o C. R. Flamengo tri-campeão - o prélio poderia ser melhor. Mas não deixou de agradar em cheio. Do equilibrio de ações sempre revezadas, resultou uma disputa movimentada, com lances por vezes empolgantes, vindo a ser o empate final um desfecho certo. E um desfecho sobremaneira honroso para os gauchos que souberam bem representar o futebol sulino num confronto com o tri-campeão de um dos maiores centros desportivos do país.
PANORAMA TECNICO
Talves os títulos dos contendores tenham diminuido o valor técnico da contenda. Talvez o hábito de jogos “á moda carioca” - táticas de “marcação cerrada”, de “marcação por homem” - tenha feito o desenrolar peor do que foi, na realidade, aos olhos crítico. Segue-se que o prélio foi tosco, neste detalhe. Mas brilhante, se analizarmos, por exemplo, os valores do Internacional, a sua capacidade de improvização, o dinamismo de muitos, o senso da oportunidade e o espírito combativo. Brilhante, ainda, se olhando apenas as individualidades, considerarmos o trabalho de Zizinho, de Adilson e de Jaime. De fáto, os dois períodos foram assim: disputados com um padrão que já vae longe, no qual distinguimos as características do futebol dos “aureos tempos”. Nos vinte minutos iniciais, os rubro-negros lograram mandar o jogo. A linha média, com Amaral, Bria, e Jaime não fôra, ainda, preocupada com as falhas e as indecisões da zaga. Nem o ataque de Pirillo sentíra os erros de Tião e de Vevé. Os defensores do Internacional estavam vivos. Alfeu, Nêna, Vianna e Abigail incansaveis. Mesmo, assim, estavam inferiores. Contudo a pontaria dos rubro-negros andava pelas “alturas”. Quando Carlito empatou o jogo, ficou evidente que com deslocamentos rápidos, Norival e Newton - e Jaime tambem - seriam vencidos nas disputas. Então, os da retaguarda fizeram rebatidas fortes, provocando contra-taques. O recurso, porém, falía, porque a estatura avantajada dos flamengos predominava nas jogadas. O sól apareceu para ajudar os sulinos, incidindo fortemente, sobre o campo contrário e dificultando os flamengos nas bolas altas, nas cargas sobre seu arco. E então, a turma do Internacional equilibrou o cotejo, chegando ao fim do primeiro tempo com vantagem territorial. Restava saber se, no 2o. período, haveria vigor, treinamento físico dos gauchos para sustentar o ritmo do jogo e resistir à falta de ambientação. Veio a 2a. etapa e os sulinos fraquejaram. Durante muito tempo, Ivo, Alfeu e Nêna, bem secundados por Vianna, Elizeu e Abigail, desdobraram-se na defesa. Depois do empate de Pirillo, coroando esforços comuns, tambem, o Flamengo caíu de produção. Os rapazes do Internacional tiveram, então, o ataque alterado. Tesourinha, produtivo por certo, sofria vigilancia de Norival e de Jaime. Elizeu ajudava a retaguarda muito, mas não aproveitava a liberdade concedida por Bria consequencia: trocaram o extrema e o meia de posição. E o tri-campeão carioca teve que se defender, bem, até o final, para não perder o empate duramente conquistado. Havia uma grande interesse pelos duelos que a fisionomia do jogo destacou: Tesourinha x Norival, Avilla x Pirillo e Newton x Adãozinho. Só o centro-avante gaucho venceu. Nos demais, os flamengos, embóra irregulares triunfaram. Não foram esses, os anunciados duelos porém, os que mais se evidenciaram. Duelos, de verdade, foram os que travaram Zizinho com a sefesa sulina e Alfeu com o ataque flamengo. Duas grandes figuras no gramado.
Acerditamos que se o campeão pudesse jogar como faz, normalmente, com homogenia, sem o desentendimento que quasi sempre reinou na retaguarda, o confronto dos padrões de futebol teria dado margem a interessantes considerações de carater técnico. O Flamengo, no entanto, com tantas falhas, indo á necessidade de substituir Tião e Vevé por Bucheli e Jarbas, foi lutar de igual para igual.
O Internacional, relativamente, mortou-nos um bélo conjunto. E com jogadores jovens, de largas possibilidades.
ARBITRAGEM:
Esteve a cargo do Sr. Mario Vianna que com falhas sem importância, veio a produzir bôa arbitragem. Teve a ajudá-lo a disciplina imperante em todo o desenrolar da peleja, fazendo com ue este se tornasse, como de jogo amistoso interestadual, um exemplo de cordialidade e lealdade.
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Um comentário para “ Flamengo 2x2 Internacional - O Rolo Compressor no Rio ”
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em 6 de Setembro de 2008 @ 19:25 1.Gilberto Maluf disse:
Eu prestei atenção no comentário, acho que o Alberto Mendes devia ser gaucho. Vejam que legal:
” Talvez o hábito de jogos “á moda carioca” - táticas de “marcação cerrada”, de “marcação por homem” ” etc.